Gaveta...
Tudo o que de ti restou ou ainda resta guardei. Deitei fora o que havia de ti e que de nada servia. Rasguei os papéis onde as tuas palavras eram cheias de intenções. Rasguei por ser igualmente fácil, tal como foi para ti escrevê-las. As tuas fotografias não existem mais, apenas a vaga memória delas. Queimei-as e como foi bonito o fogo a lavrar sobre elas e a devorá-las lentamente como um beijo envenenado. Afinal todas as fotografias são apenas isso, vagas e difusas memórias, onde os sorrisos, o contacto e os momentos são encenações momentâneas.
Hoje foi o dia em que tudo o que de ti restou coube num caixa pequena, porque o excedente nunca serviu para mais nada que não ocupar espaço. E tu que tanto espaço e sentidos ocupaste, hoje nada mais és do que uma caixa de tamanho diminuto que cabe numa gaveta. Há que saber prender-te e uma tampa não me deixa sossegado. Nunca sei quando poderás irromper e deixar que a lembrança da tua presença se sente ao meu lado, beba do meu copo e fume dos meus cigarros. É por isso que te exilo naquela gaveta que tranco e cuja chave escondo num local que apenas eu conheço. Porque hoje tu coubeste apenas numa gaveta fechada, ainda que seja a gaveta mais à vista de toda a casa e cuja presença me dilacere a pele.
Hoje foi o dia em que tudo o que de ti restou coube num caixa pequena, porque o excedente nunca serviu para mais nada que não ocupar espaço. E tu que tanto espaço e sentidos ocupaste, hoje nada mais és do que uma caixa de tamanho diminuto que cabe numa gaveta. Há que saber prender-te e uma tampa não me deixa sossegado. Nunca sei quando poderás irromper e deixar que a lembrança da tua presença se sente ao meu lado, beba do meu copo e fume dos meus cigarros. É por isso que te exilo naquela gaveta que tranco e cuja chave escondo num local que apenas eu conheço. Porque hoje tu coubeste apenas numa gaveta fechada, ainda que seja a gaveta mais à vista de toda a casa e cuja presença me dilacere a pele.

FELIZ NATAL!
Posted by
Paulo Sempre |
2:01 AM