Pó...
O pó sobre a mobília destapada, sobre as chaves na mesa e debaixo do tapete. O pó sobre o parapeito da janela, na ombreira da porta e sob o tapete. O pó que se acumula e sobre o qual se passam os dedos, se deixam avisos velados e no chão onde os passos são denunciados. Assim és tu, o pó acumulado em mim. O pó desfeito em grãos minúsculos e que se alastra por todo o lado. Assim és tu. O teu corpo em pó erigido e a tua presença feita em pó. Talvez seja por isso que desfazer-me de ti seja como limpar o pó, sacudo-te para o ar para que, de maneira displicente, mudes de sítio, te impregnes em mim e tudo volte à sujidade inicial.

Abraço!!
Posted by
Paulo Sempre |
1:02 AM
Como sempre: sublime!
Abraço
Posted by
Brain |
1:08 PM