Aluguer...
Sei que vivias na minha casa, que tinhas as chaves da porta e que tomaste lugar em cada divisão. Sei também que foste conhecendo todas as divisões e te tornaste tão familiar como a disposição dos sentimentos e os contrastes gritantes das cores. Da minha parte sempre preferi a geometria das mobílias e os tons quentes da minha intensidade, do teu lado havia a tranquilidade das cores e a contenção.
Pouco a pouco foste encontrando lugar em mim e marcaste presença com as tuas chaves perdidas com displicência e as cinzas dos cigarros abandonados nos cinzeiros. Abrias as minhas janelas de par em par para arejar as divisões da saturação dos cheiros antigos, talvez porque ao abri-las estivesses a abrir também as tuas. Havia encontro e aquele espaço também te pertencia.
Não sei há quanto tempo deixaste de morar em mim como moravas, nem tão pouco sei se o saberás. Há quanto tempo deixei de morar em ti? São respostas que não queremos obter, mais por medo, culpa, orgulho, raiva ou perda. Porque é o medo e a raiva que (ainda) nos aproximam, estranha ligação esta, que tão pouco sobrou do que um dia nos uniu. As perguntas são reticências e incertezas e as respostas são definitivas, pontos finais e constatações.
Já há tanto tempo que não abrimos as janelas, já há tanto tempo que empacotámos as coisas e tapámos as mobílias, mas ainda há tanto por arrumar...e nós vamos adiando enquanto esta espera se arraste e (me) consome e nenhum de nós pertence realmente a esta casa. Fechemos a porta com estrondo e deitemos as chaves fora, há já muito tempo que temos esta casa para alugar.
Pouco a pouco foste encontrando lugar em mim e marcaste presença com as tuas chaves perdidas com displicência e as cinzas dos cigarros abandonados nos cinzeiros. Abrias as minhas janelas de par em par para arejar as divisões da saturação dos cheiros antigos, talvez porque ao abri-las estivesses a abrir também as tuas. Havia encontro e aquele espaço também te pertencia.
Não sei há quanto tempo deixaste de morar em mim como moravas, nem tão pouco sei se o saberás. Há quanto tempo deixei de morar em ti? São respostas que não queremos obter, mais por medo, culpa, orgulho, raiva ou perda. Porque é o medo e a raiva que (ainda) nos aproximam, estranha ligação esta, que tão pouco sobrou do que um dia nos uniu. As perguntas são reticências e incertezas e as respostas são definitivas, pontos finais e constatações.
Já há tanto tempo que não abrimos as janelas, já há tanto tempo que empacotámos as coisas e tapámos as mobílias, mas ainda há tanto por arrumar...e nós vamos adiando enquanto esta espera se arraste e (me) consome e nenhum de nós pertence realmente a esta casa. Fechemos a porta com estrondo e deitemos as chaves fora, há já muito tempo que temos esta casa para alugar.

Lembro-me de muitas das palavras deste texto :) mas como também já te disse as respostas que tanto receio temos de ouvir, saber são a chave para poderem abrir novas portas de outras casas...
O passado não o podemos mudar, e apesar de mudarmos o que vivemos não deixou de ser importante no momento em que o vivemos, não deixou de ser intenso, sentido. Nada volto a ser como um dia foi...mas as respostas são um ponto para um futuro com mais janelas...
ao ler o texto, para mim, a raiva não está tão presente como pretendes transmitir... mas sim o que sentes que estas a perder...o que admites não querer mais, mas continuas a querer...
....
bjinhos
Jane
Posted by
Esquissos |
6:51 PM
Para além da insónia há sempre o desejo do regresso do canto dos rouxinóis..
As noites sem grilos são sempre silênciosas e vice-versa.
Abraço
Posted by
Paulo Sempre |
12:00 AM
Como sempre,
A perfeição das palavras,
Na completa manipulação dos sentidos embebidos no texto,
com uma naturalidade,
que dá vontade,
MESMO,
de te "bater"!
Aquele Abraço.
Posted by
Brain |
5:35 PM